sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

[IMO-1961] - Desigualdades - Como resolver?

[IMO-Olimpíada Matemática Internacional-1961] Sejam $ a $, $ b $ e $ c $ lados de um triângulo e $ T $ sua área.
Prove que $$ a^2 + b^2 + c^2 \geq 4 \sqrt { 3} T .$$
Quando ocorre a igualdade?

Solução de Fabiano Ferreira:

Procuremos dar um encadeamento lógico à prova.

I) Queremos provar que:

$$ a^{ 2 }+b^{ 2 }+c^{ 2 }\geq 4\sqrt { 3 } T $$

1) Seja $ s $ o semiperímetro do triângulo.

Logo, $$ 2s=a+b+c $$.

2) Em seguida, apliquemos MA-MG em $ s-a $, $ s-b $ e $ s-c $ e desenvolvamos:

$$ \frac { (s-a)+(s-b)+(s-c) }{ 3 } \geq $$

$$ \sqrt [ 3 ]{ (s-a)(s-b)(s-c) } $$

$$\Leftrightarrow { \left[ \frac { (s-a)+(s-b)+(s-c) }{ 3 } \right] }^{ 3 }\geq $$

$$ (s-a)(s-b)(s-c) $$

$$\Leftrightarrow (s-a)(s-b)(s-c)\le $$

$${ \left[ \frac { (s-a)+(s-b)+(s-c) }{ 3 } \right] }^{ 3 } $$

$$\Leftrightarrow s(s-a)(s-b)(s-c)\le $$

$$ s{ \left[ \frac { (s-a)+(s-b)+(s-c) }{ 3 } \right] }^{ 3 } $$

$$\Leftrightarrow \sqrt { s(s-a)(s-b)(s-c) } \le $$

$$ \sqrt { s{ \left[ \frac { (s-a)+(s-b)+(s-c) }{ 3 } \right] }^{ 3 } } $$

$$\Leftrightarrow \sqrt { s(s-a)(s-b)(s-c) } \le \sqrt { s{ \left[ \frac { 3s-2s }{ 3 } \right] }^{ 3 } } $$

$$\Leftrightarrow \sqrt { s(s-a)(s-b)(s-c) } \le $$

$$\sqrt { s{ \left[ \frac { s }{ 3 } \right] }^{ 3 } } =\sqrt { \frac { { s }^{ 4 } }{ 9.3 } } =\frac { \sqrt { 3 } }{ 9 } { s }^{ 2 } $$

3) Portanto:

$$ T\le \frac { \sqrt { 3 } }{ 9 } { s }^{ 2 } .....(1) $$

4) Levemos $ s=\frac { a+b+c }{ 2 } $ na equação (1) e desenvolvamos:

$$ T\le \frac { \sqrt { 3 } }{ 9 } { \left( \frac { a+b+c }{ 2 } \right) }^{ 2 } $$

Multipliquemos ambos os lados da desigualdade por $ 4\sqrt { 3 } $:

$$ \Leftrightarrow 4\sqrt { 3 } T\le 4\sqrt { 3 } \left[ \frac { \sqrt { 3 } }{ 4 } { { \left( \frac { a+b+c }{ 3 } \right) }^{ 2 } } \right] $$

$$ \Leftrightarrow 4\sqrt { 3 } T\le 3{ { \left( \frac { a+b+c }{ 3 } \right) }^{ 2 } } $$

$$ \Leftrightarrow 4\sqrt { 3 } T\le \frac { 1 }{ 3 } { { \left( a+b+c \right) }^{ 2 } } .....(2)$$

5) Se tomarmos, $ a, b, c $ e $ 1, 1, 1 $, por Cauchy-Schwarz teremos:

$$ \sum _{ k=1 }^{ n }{ ({ a }_{ k })^{ 2 } } \sum _{ k=1 }^{ n }{ ({ b }_{ k })^{ 2 } } \ge { \left( \sum _{ k=1 }^{ n }{ { { a }_{ k }b }_{ k } } \right) }^{ 2 } $$

$$ (a^{ 2 }+b^{ 2 }+c^{ 2 })(1^{ 2 }+1^{ 2 }+1^{ 2 })\ge $$

$${ (a\cdot 1+b\cdot 1+c\cdot 1) }^{ 2 } $$

$$ a^{ 2 }+b^{ 2 }+c^{ 2 }\ge \frac { 1 }{ 3 } { { \left( a+b+c \right) }^{ 2 } } .....(3)$$

$$\frac { 1 }{ 3 } { { \left( a+b+c \right) }^{ 2 } }\ge 4\sqrt { 3 } T .....(2)$$

6) Portanto, de (2) e (3) segue-se que:

$$ a^{ 2 }+b^{ 2 }+c^{ 2 }\ge 4\sqrt { 3 } T $$

Assim, concluímos a prova.

$\square $


II) A igualdade ocorre quando $ (s-a)=(s-b)=(s-c) $ ou seja, quando $ a=b=c $, quer dizer, quando o triângulo for equilátero.

domingo, 24 de novembro de 2013

IMO-2012 Problema 6 (Desafio)

IMO-2012 Problema 6 (Dušan Djukić, Sérvia)
 

Encontre todos os inteiros positivos \( n \) para os quais exitem inteiros não-negativos \( a_1 \), \( a_2 \), \( \dots \), \( a_n \) tais que \[ \frac1{2^{a_1}}+\frac1{2^{a_2}}+\cdots+\frac1{2^{a_n}}=\frac1{3^{a_1}}+\frac2{3^{a_2}}+\cdots+\frac{n}{3^{a_n}}=1.\]

Solução:
 

Seja \( M=\max\{a_1,\dots, a_n\} \). Então, nós temos \( 3^M=1\cdot 3^{M-a_1}+ 2\cdot 3^{M-a_2}+\cdots + n\cdot 3^{M-a_n}\equiv 1+2+\cdots+n=\frac{n(n+1)}2 \) (mod \( n \)). Portanto, o número \( \frac{n(n+1)}2 \) deve ser ímpar e, por isso, \( n\equiv 1 \) (mod 4) ou \( n\equiv 2 \) (mod 4).

Nós iremos provar que, para cada \( n\in\mathbb N \) da forma \( 4k+1 \) ou \( 4k+2 \) (para algum \( k\in\mathbb N \)) existem inteiros \( a_1 \), \( \dots \), \( a_n \) com a propriedade descrita.

Para uma sequência \( \mathbf a=\left(a_1, a_2, \dots, a_n\right) \) introduzamos a seguinte notação: \[ E(\mathbf a)=\frac1{2^{a_1}}+\frac1{2^{a_2}}+\cdots+\frac1{2^{a_n}}\quad\quad\quad\mbox{ e }\quad\quad\quad D(\mathbf a)=\frac1{3^{a_1}}+\frac2{3^{a_2}}+\cdots+\frac{n}{3^{a_n}}.\] Assuma que, para \( n=2m+1 \) existe uma sequência \( \mathbf a=(a_1, \dots, a_n) \) de inteiros não-negativos com \( E(\mathbf a)=D(\mathbf a)=1 \). Considere a sequência \( \mathbf a^{\prime}=(a_1^{\prime},\dots, a_{n+1}^{\prime}) \) definida da seguinte maneira: \[ a_j^{\prime}=\left\{\begin{array}{rl} a_j,& \mbox{ se } j\not \in \{m+1,2m+2\}\\ a_{m+1}+1,& \mbox{ se } j\in \{m+1,2m+2\}.\end{array}\right.\] Então, temos \[ E\left(\mathbf a^{\prime}\right)=D(\mathbf a)-\frac1{2^{a_{m+1}}}+2\cdot \frac1{2^{a_{m+1}+1}}=1\;\;\;\mbox{ e }\;\;\; D\left(\mathbf a^{\prime}\right)=D(\mathbf a)- \frac{m+1}{3^{a_{m+1}}}+\frac{m+1}{3^{a_{m+1}+1}}+\frac{2m+2}{3^{a_{m+1}+1}}=1.\] Isto implica que, se a proposição é válida para \( 2m+1 \), então, ela também é válida para \( 2m+2 \).

Assuma agora que a proposição é válida para \( n=4m+2 \) para algum \( m\geq 2 \), e assuma que \( \mathbf a=\left(a_1, \dots, a_{4m+2}\right) \) é a sequência correspondente de \( n \) inteiros não-negativos. Iremos construir a seguinte sequência \( \mathbf a^{\prime}=\left(a_1^{\prime}, a_2^{\prime}, \dots, a^{\prime}_{4m+13}\right) \) que satisfaz \( E\left(\mathbf a^{\prime}\right)=D\left(\mathbf a^{\prime}\right)=1 \) assim provando que a proposição é válida para \( 4m+13 \). Defina: \[ a^{\prime}_j=\left\{ \begin{array}{rl} a_{m+2}+2, &\mbox{ se } j=m+2\\ a_{j}+1, &\mbox{ se } j\in\{2m+2, 2m+3, 2m+4, 2m+5,2m+6\}\\ a_{\frac{j}2}+1, &\mbox{ se } j\in\{4m+4, 4m+6, 4m+8, 4m+10,4m+12\}\\ a_{m+2}+3, &\mbox{ se } j\in\{4m+3, 4m+5, 4m+7, 4m+9, 4m+11, 4m+13\}\\ a_j, &\mbox{ caso contrário.} \end{array}\right.\]

Agora nós temos \[ E\left(\mathbf a^{\prime}\right)=E(\mathbf a)-\frac1{2^{a_{m+2}}}- \sum_{j=2}^6 \frac1{2^{a_{2m+j}}}+\frac1{2^{a_{m+2}+2}}+\sum_{j=2}^6\frac1{2^{a_{2m+j}+1}}+\sum_{j=2}^6 \frac1{2^{a_{2m+j}+1}}+6\cdot \frac1{2^{a_{m+2}+3}}=1.\] Usemos outra nomenclatura: \[ D\left(\begin{array}{ccc} c_1, &\dots, &c_k\\ d_1, &\dots, &d_k\end{array}\right)=\frac{d_1}{3^{c_1}}+\cdots+\frac{d_k}{3^{c_k}}.\] Devemos verificar que \( D\left(\mathbf a^{\prime}\right)=D(\mathbf a)=1 \).Para tanto, escrevemos\[ D\left(\mathbf a^{\prime}\right)-D(\mathbf a)=D\left( \begin{array}{ccccccc}a^{\prime}_{m+2}, &a^{\prime}_{4m+3}, &a^{\prime}_{4m+5}, &a^{\prime}_{4m+7}, &a^{\prime}_{4m+9}, &a^{\prime}_{4m+11}, &a^{\prime}_{4m+13}\\ m+2, & 4m+3,& 4m+5,& 4m+7,& 4m+9,& 4m+11,& 4m+13\end{array}\right)\] \[-D\left(\begin{array}{c}a_{m+2}\\ m+2\end{array}\right) + \sum_{j=2}^6 \left( D\left(\begin{array}{cc}a^{\prime}_{2m+j}, &a^{\prime}_{4m+2j}\\ 2m+j,& 4m+j\end{array}\right)-D\left(\begin{array}{c}a_{2m+j}\\ 2m+j\end{array}\right)\right),\] Para cada \( j\in\{2,3,4,5,6\} \) nós temos \[ D\left(\begin{array}{cc}a^{\prime}_{2m+j}, &a^{\prime}_{4m+2j}\\ 2m+j,& 4m+j\end{array}\right)-D\left(\begin{array}{c}a_{2m+j}\\ 2m+j\end{array}\right)= \frac{2m+j}{3^{a_{2m+j}+1}}+ \frac{4m+2j}{3^{a_{2m+j}+1}}-\frac{2m+j}{3^{a_{2m+j}}}=0.\] O primeiro termo na expressão para \( D\left(\mathbf a^{\prime}\right)-D(\mathbf a) \) é também igual a \( 0 \) porque \[ D\left( \begin{array}{ccccccc}a^{\prime}_{m+2}, &a^{\prime}_{4m+3}, &a^{\prime}_{4m+5}, &a^{\prime}_{4m+7}, &a^{\prime}_{4m+9}, &a^{\prime}_{4m+11}, &a^{\prime}_{4m+13}\\ m+2, & 4m+3,& 4m+5,& 4m+7,& 4m+9,& 4m+11,& 4m+13\end{array}\right)- D\left(\begin{array}{c}a_{m+2}\\ m+2\end{array}\right)=\] \[ =\frac{m+2}{3^{a_{m+2}+2}}+\sum_{j=1}^6 \frac{4m+2j+1}{3^{a_{m+2}+3}}-\frac{m+2}{3^{a_{m+2}}}=0.\] Deste modo, \( D\left(\mathbf a^{\prime}\right)=0 \) e a proposição é válida para \( 4m+13 \). Por último, resta verificar que há sequências de comprimentos \( 1 \), \( 5 \), \( 9 \), \( 13 \), e \( 17 \). O comprimento de uma sequência finita é o número de termos que ela contêm ou, de modo equivalente, é a cardinalidade de seu domínio. Por conseguinte, uma forma de escolher essas sequências é: \[ (0), \;\;\; (2,2,2,3,3), \;\;\; (2,3,3,3,3,4,4,4,4),\;\;\; (2,3,3,4,4,4,5,4,4,5,4,5,5),\] \[ (3,2,2,4,4,5,5,6,5,6,6,6,6,6,6,6,5).\]

Resposta: os números \( n \) nas condições do problema são \( 1 \), \( 5 \), \( 9 \), \( 13 \), e \( 17 \).

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

[MAT] IMO Olimpíada Internacional de Matemática 2012 Problema 2 Solução 1

Desigualdade entre as Médias Aritmética e Geométrica e Produto Telescópico

Inscreva-se no canal no YouTube: Canal Pensando como Um Gênio

Aqui vai um vídeo-solução de um problema muito interessante da IMO 2012. Exige uma percepção aguçada do estudante, estratégia e profundo domínio dos conteúdos teóricos exigidos na matemática olímpica internacional. Apresento a primeira solução.





Aqui está o PDF para acompanhamento da solução: PDF-Solução

Siga-nos no Facebook:
Grupo: Projeto Omegaleph de Educação Avançada


[MAT] Olimpíada Canadense de Matemática - Video-Solução

Soma Telescópica

Inscreva-se no canal no YouTube: Canal Pensando como Um Gênio

Aqui vai um vídeo sobre um problema muito interessante sobre Soma Telescópica, apresentado numa Olimpíada Canadense de Matemática. Apresento a primeira solução. 



Aqui está o PDF para acompanhamento da solução: PDF-Solução

Siga-nos no Facebook:

Grupo: Projeto Omegaleph de Educação Avançada


[MAT] - Trigonometria-Titu Adreescu-Vídeo-Solução

Inscreva-se no canal no YouTube: Canal Pensando como Um Gênio

Aqui vai um vídeo sobre um problema muito interessante. Apresento a primeira solução. Siga-nos no Facebook:

Grupo: Projeto Omegaleph de Educação Avançada

Página: Instituto Omegaleph de Educação Avançada



Aqui você pode baixar o PDF com a solução passo a passo: PDF-Solução

Inscreva-se no nosso canal e siga-nos no Facebook em nosso grupo e em nossa página.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

[MAT] (M. Steiner) Determinantes


(M. Steiner)

Seja $ D_n $ o determinante da matriz $n\times n$ de entradas $a_{ ij }=\mid i-j\mid $.

Mostre que $ D_{ n }=(-1)^{ n }.(1-n).2^{ n-2 } $.


Solução de M. Steiner:


Tentemos visualizar o determinante, que será do tipo:

$$ D_n=\begin{vmatrix} { a }_{ 11 } & { a }_{ 12 } & { a }_{ 13 } & \cdots & { a }_{ 1n } \\ { a }_{ 21 } & { a }_{ 22 } & { a }_{ 23 } & \cdots & { a }_{ 2n } \\ { a }_{ 31 } & { a }_{ 32 } & { a }_{ 33 } & \cdots & { a }_{ 3n } \\ \vdots & \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ { a }_{ n1 } & {a}_{n2 } & {a}_{n3} & \cdots & {a}_{nn} \end{vmatrix}=$$

$$\begin{vmatrix} { 0 } & { 1 } & {2 } & 3 & \cdots & { n-1 } \\ { 1 } & { 0 } & { 1 } & 2 & \cdots & { n-2 } \\ { 2 } & { 1 } & { 0 } & 1& \cdots & { n-3 } \\ { 3 } & { 2} & { 1 } & 0 & \cdots & { n-4 } \\ \vdots & \vdots & \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ { n-1 } & {n-2 } & {n-3} & n-4 & \cdots & {0} \end{vmatrix}$$


1º passo - Some a n-ésima coluna na primeira coluna do determinante(Teorema de Jacobi nos garante que o determinante não é alterado com essa operação).


$$D_n=\begin{vmatrix} { n-1 } & { 1 } & {2 } & 3 & \cdots & { n-1 } \\ { n-1 } & { 0 } & { 1 } & 2 & \cdots & { n-2 } \\ { n-1 } & { 1 } & { 0 } & 1& \cdots & { n-3 } \\ { n-1 } & { 2} & { 1 } & 0 & \cdots & { n-4 } \\ \vdots & \vdots & \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ { n-1 } & {n-2 } & {n-3} & n-4 & \cdots & {0} \end{vmatrix}$$


2º passo - Destaque o fator (n-1) do determinante.

$$D_n=(n-1)\begin{vmatrix} { 1 } & { 1 } & {2 } & 3 & \cdots & { n-1 } \\ { 1 } & { 0 } & { 1 } & 2 & \cdots & { n-2 } \\ { 1 } & { 1 } & { 0 } & 1& \cdots & { n-3 } \\ { 1 } & { 2} & { 1 } & 0 & \cdots & { n-4 } \\ \vdots & \vdots & \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ { 1 } & {n-2 } & {n-3} & n-4 & \cdots & {0} \end{vmatrix}$$


3º passo - Utilize a regra de Chió, obtendo:


$$D_n=(n-1)\begin{vmatrix} { -1 } & { -1 } & {-1 } & {-1} & \cdots & { -1 } \\ { 0 } & { -2 } & { -2 } & -2 & \cdots & { -2 } \\ { 1 } & { -1 } & { -3 } & -3& \cdots & { -3 } \\ { 1 } & { 2} & { 1 } & 0 & \cdots & { -4 } \\ \vdots & \vdots & \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ { n-3 } & {n-5 } & {n-7} & n-9 & \cdots & {-(n-1)} \end{vmatrix}_{(n-1)\times (n-1)}$$


4º passo - Destaque o fator (-1) da primeira linha do determinante:


$$D_n=(1-n)\begin{vmatrix} { 1 } & { 1 } & {1 } & {1} & \cdots & { 1 } \\ { 0 } & { -2 } & { -2 } & -2 & \cdots & { -2 } \\ { 1 } & { -1 } & { -3 } & -3& \cdots & { -3 } \\ { 1 } & { 2} & { 1 } & 0 & \cdots & { -4 } \\ \vdots & \vdots & \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ { n-3 } & {n-5 } & {n-7} & n-9 & \cdots & {-(n-1)} \end{vmatrix}_{(n-1)\times (n-1)}$$


5º passo - Utilize a regra de Chió novamente, obtendo:


$$D_n=(1-n)\begin{vmatrix} { -2 } & { -2 } & {-2 } & {-2} & \cdots & { -2 } \\ { -2 } & { -4 } & { -4 } & -4 & \cdots & { -4 } \\ { -2 } & { -4 } & { -6 } & -6& \cdots & { -6 } \\ { -2 } & { -4} & { -6 } & -8 & \cdots & { -8 } \\ \vdots & \vdots & \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ { -2 } & {-4 } & {-6} & -8 & \cdots & {-2(n-2)} \end{vmatrix}_{(n-2)\times (n-2)}$$

6º passo - Destaque de cada linha o fator (+2) do determinante de ordem (n-2):


$$D_n=(1-n)2^{n-2}\begin{vmatrix} { -1 } & { -1 } & {-1 } & {-1} & \cdots & { -1 } \\ { -1 } & { -2 } & { -2 } & -2 & \cdots & { -2 } \\ { -1 } & { -2 } & { -3 } & -3& \cdots & { -3 } \\ { -1 } & { -2} & { -3 } & -4 & \cdots & { -4 } \\ \vdots & \vdots & \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ { -1 } & {-2 } & {-3} & -4 & \cdots & {-(n-2)} \end{vmatrix}_{(n-2)\times (n-2)}$$


7º passo - Destaque de cada linha o fator (-1) do determinante de ordem (n-2):


$$D_n=(1-n)2^{n-2}.(-1)^{n-2}\begin{vmatrix} { 1 } & { 1 } & {1 } & {1} & \cdots & { 1 } \\ { 1 } & { 2 } & { 2 } & 2 & \cdots & { 2 } \\ { 1 } & { 2 } & { 3 } & 3& \cdots & { 3 } \\ { 1 } & { 2} & { 3 } & 4 & \cdots & { 4 } \\ \vdots & \vdots & \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ { 1 } & {2 } & {3} & 4 & \cdots & {(n-2)} \end{vmatrix}_{(n-2)\times (n-2)}$$

Perceba que se provarmos que esse determinante é igual a 1(n>2), nosso problema estará resolvido.


Antes de prosseguirmos, vamos estudar o caso geral desse determinante:


$$K_n=\begin{vmatrix} { 1 } & { 1 } & {1 } & {1} & \cdots & { 1 } \\ { 1 } & { 2 } & { 2 } & 2 & \cdots & { 2 } \\ { 1 } & { 2 } & { 3 } & 3& \cdots & { 3 } \\ { 1 } & { 2} & { 3 } & 4 & \cdots & { 4 } \\ \vdots & \vdots & \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ { 1 } & {2 } & {3} & 4 & \cdots & {n} \end{vmatrix}_{n\times n}$$

Adendo: Vamos proceder a uma generalização necessária para depois voltamos ao problema.

Seja $$K_n=\begin{vmatrix} { 1 } & { 1 } & {1 } & {1} & \cdots & { 1 } \\ { 1 } & { 2 } & { 2 } & 2 & \cdots & { 2 } \\ { 1 } & { 2 } & { 3 } & 3& \cdots & { 3 } \\ { 1 } & { 2} & { 3 } & 4 & \cdots & { 4 } \\ \vdots & \vdots & \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ { 1 } & {2 } & {3} & 4 & \cdots & {n} \end{vmatrix}_{n\times n}$$

Calcule $K_{ n }$.


Solução:


1º passo - Multiplique a segunda linha por (-1/2) e some na primeira.


$$K_n=\begin{vmatrix} { 1/2 } & { 0} & {0 } & {0} & \cdots & { 0 } \\ { 1 } & { 2 } & { 2 } & 2 & \cdots & { 2 } \\ { 1 } & { 2 } & { 3 } & 3& \cdots & { 3 } \\ { 1 } & { 2} & { 3 } & 4 & \cdots & { 4 } \\ \vdots & \vdots & \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ { 1 } & {2 } & {3} & 4 & \cdots & {n} \end{vmatrix}_{n\times n}$$


2º passo - Multiplique a terceira linha por (-2/3) e some na segunda.


$$K_n=\begin{vmatrix} { 1/2 } & { 0 } & {0 } & {0} & \cdots & { 0 } \\ { 1/3 } & { 2/3 } & { 0 } & 0 & \cdots & { 0 } \\ { 1 } & { 2 } & { 3 } & 3& \cdots & { 3 } \\ { 1 } & { 2} & { 3 } & 4 & \cdots & { 4 } \\ \vdots & \vdots & \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ { 1 } & {2 } & {3} & 4 & \cdots & {n} \end{vmatrix}_{n\times n}$$


3º passo - Multiplique a quarta linha por (-3/4) e some na terceira.


$$K_n=\begin{vmatrix} { 1/2 } & { 0 } & {0 } & {0} & \cdots & { 0 } \\ { 1/3 } & { 2/3 } & { 0 } & 0 & \cdots & { 0 } \\ { 1/4 } & { 1/2 } & { 3/4 } & 0& \cdots & { 0 } \\ { 1 } & { 2} & { 3 } & 4 & \cdots & { 4 } \\ \vdots & \vdots & \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ { 1 } & {2 } & {3} & 4 & \cdots & {n} \end{vmatrix}_{n\times n}$$

4º passo - Repita esse processo até a n-ésima linha. Ou seja, multiplique a n-ésima linha por (n-1)/n e some na linha anterior.


$$K_n=\underbrace{ \begin{vmatrix} { 1/2 } & { 0 } & {0 } & {0} & \cdots & { 0 } \\ { 1/3 } & { 2/3 } & { 0 } & 0 & \cdots & { 0 } \\ { 1/4 } & { 1/2 } & { 3/4 } & 0& \cdots & { 0 } \\ { 1/5 } & { 2/5} & { 3/5 } & 4/5 & \cdots & { 0 } \\ \vdots & \vdots & \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ { 1 } & {2 } & {3} & 4 & \cdots & {n} \end{vmatrix}}_{n\times n}_{Matriz\ Triangular\ Inferior}$$


Portanto:


$$ K_n = (1/2).(2/3).(3/4).(4/5)...[(n-1)/n].n $$

$$ \therefore \boxed{K_n = 1} $$


Logo, está provado que esse determinante é sempre 1 para qualquer n natural.



Voltando ao problema original:


$$D_n=(1-n).2^{n-2}.(-1)^{n-2}.\begin{vmatrix} { 1 } & { 1 } & {1 } & {1} & \cdots & { 1 } \\ { 1 } & { 2 } & { 2 } & 2 & \cdots & { 2 } \\ { 1 } & { 2 } & { 3 } & 3& \cdots & { 3 } \\ { 1 } & { 2} & { 3 } & 4 & \cdots & { 4 } \\ \vdots & \vdots & \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ { 1 } & {2 } & {3} & 4 & \cdots & {(n-2)} \end{vmatrix}_{(n-2)\times (n-2)}$$


$$D_n=(1-n).2^{n-2}.(-1)^{n-2}.K_{n-2}$$

$$D_n= (1-n).2^{n-2}.(-1)^{n-2}.1$$

$$D_n=(1-n).2^{n-2}.(-1)^{n-2}.(-1)^{2}$$

$$\therefore \boxed{ D_n=(-1)^{n}.(1-n).2^{n-2}}$$


$\blacksquare\ C.Q.D.$

sábado, 27 de abril de 2013

[FIS] (Halliday) - Temperatura

[FIS] (Halliday-Temperatura) Um termômetro de gás especial consiste de dois bulbos que contêm gás, cada um colocado em um reservatório de água, como mostra a figura abaixo. A diferença de pressão entre os dois bulbos é medida por um manômetro de mercúrio, também representado na figura. Reservatórios apropriados não mostrados na figura mantêm constante o volume de gás nos bulbos. Quando os dois reservatórios estão no ponto tríplice da água, não há diferença de pressão. Quando um reservatório está no ponto tríplice da  água e o outro está no ponto de ebulição da água, a diferença de pressão é de 120 torr. Finalmente, quando um reservatório está no ponto tríplice da água e o outro numa temperatura desconhecida que desejamos medir, a diferença de pressão é de 90 torr. Qual a temperatura desconhecida?



Solução de Fabiano Ferreira:

Procuremos trabalhar com as temperaturas e pressões convencionadas, por exemplo, $T_E$ e $P_E$, para o termômetro da esquerda e $T_D$ e $P_D$, para o da direita, respectivamente. No ponto tríplice da água, seja $P_{tr}$ a pressão. Do enunciado, podemos dar o primeiro passo e obter as eq. 22-4-10, seguindo a numeração de fórmulas do livro (estou usando o meu em inglês), para cada um dos termômetros.

1) Sendo assim:

$$T_{ E }=(273,16K).\frac { P_{ E } }{ P_{ tr } } $$

e

$$T_{ D }=(273,16K).\frac { P_{ D } }{ P_{ tr } } $$

2) Subtraindo $T_E$ de $T_D$ obtemos:

$$T_{ E }-T_{ D }=(273,16K)\cdot \frac { P_{ E }-P_{ D } }{ P_{ tr } } $$

3) Do problema, podemos tomar $T_E = 373,125 K$ ( ponto de ebulição da água) e $T_D = 273,16 K$ (ponto tríplice da água). Levando em nossa equação, considerando que $P_E - P_D = 120$ torr, obtemos $P_{tr} = 328$ torr.

4) Em seguida, fazendo $T_E = 273,16$ (ponto tríplice da água) e uma $T_D$ desconhecida, considerando  $P_E - P_D = = 90$ torr, obteremos:

$$ 273,16 K - T_D = (273,16K).\frac {90}{328} $$

5) Assim,

$$ \boxed {T_D= 348 K} $$